O Brasil registrou 217.481 casos de dengue, segundo informações atualizadas do Ministério da Saúde. O índice é mais que o triplo dos casos registrados no mesmo período de 2023. A vacinação contra dengue terá início em fevereiro, com as crianças e adolescente de 10 a 14 anos, mas o imunizante chegará inicialmente a apenas 10% dos municípios. O cronograma do governo prevê o envio às 521 cidades com alto índice da doença. Segundo o Ministério da Saúde, a restrição se deve à baixa capacidade na produção.
“A inclusão da vacina da dengue é uma importante ferramenta no Sistema Único de Saúde (SUS) para que a gente possa avançar e para que a dengue seja classificada como mais uma doença imunoprevenivel”, afirma a secretária Vigilância em Saúde e Ambiente, enfermeira Ethel Maciel. Até o final do ano, a previsão é de que sejam disponibilizadas 6,2 milhões de doses. O imunizante é aplicado em um esquema de duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações.
Em 2023, o Brasil bateu o recorde de mortes com 1.096 óbitos. Para o infectologista Antonio Carlos Bandeira, o Brasil perdeu o timing para erradicar aedes aegypti. O mosquito que transmite dengue, zika, chikungunya e febre amarela chegou a ser eliminado em 1955, durante as campanhas contra a fabre amaerela, mas a falta de cuidados preventivos levou a reintrodução no território nacional,
Para Bandeira, “vários fatores têm causado essa explosão”. “O primeiro e mais importante têm sido as alterações climáticas. Outro fator é o desmantelamento que houve, de certa maneira, nos últimos anos, de uma vigilância mais proativa no sentido de instituir medidas como larvicida ou o famoso fumacê”, afirma. O terceiro fator seria a expansão da doença para áreas onde não era endêmica, como o Sul e Sudeste do Brasil.
Fonte: Ascom/Cofen, com informações do Ministério da Saúde